Penamacor é, desde há muito, conhecido pelas tradições natalícias que tem. O Madeiro deste Concelho raiano, que se localiza no norte do Distrito de Castelo Branco, é, segundo se diz, o signo mais emblemático desta época de tradições. Tudo porque, segundo se diz também, é o maior de todo o País.
As regiões da Beira têm, por tradição, o hábito de fazer o Madeiro. Colocar frente ao átrio da Igreja Matriz enormes troncos de madeira que ardem durante toda a noite do Natal, reunindo-se em torno dele, os populares da aldeia ou vila.
Uns quinze ou vinte dias antes do Natal, os rapazes novos que vão nesse ano à inspecção militar, movidos de um sentimento tradicionalista, juntam-se e vão em tractores, pelos campos arrancar o Madeiro.
Munidos de grossos e volumosos troncos velhos dos sobreiros mais secos, os rapazes voltam à vila, com os tractores carregados desta matéria que aquecerá a população.
Antigamente, porém, os troncos eram transportados em carros de bois.
Chegam a ser cinco, seis ou mais tractores bem carregados.
O âmbiente é de festa entre os populares, pois hoje em dia, os rapazes novos são em tão menor número que a população acorre a ajudar.
Em cortejo, os vivas ao madeiro chegam à vila.
Á janela apressam-se populares para ver o madeiro chegar e, uma vez no adro, toda a população ali acorre, para admirar a grandiosidade do madeiro.
Depois, durante 10 dias o madeiro fica exposto na praça, para que todos o vejam.
Chegado o dia 24, é altura de se deitar fogo ao madeiro. O madeiro é regado com gasolina e começa a arder.
Toda a população ali se vai continuando a reunir aos poucos e, com o alongar da madrugada, a população começa a recolher a casa.
O madeiro continua a arder durante a noite de Natal e durante o dia 25.
Na semana passada António Cabanas, um habitante e natural daquele Concelho, publicou um livro com toda a história do Madeiro de Penamacor.
A publicação tem por nome Eh! Madeiro, e mostra a óptica do autor quanto a esta tradição. "As tradições não têm de ser estáticas, como algumas pessoas pensam. As tradições que se adaptam, preservam-se, outras que são estáticas, vão-se perdendo", observa António Cabanas.
(NOTA: Para não colocar uma foto de arquivo, colocarei após este fim-de-semana, uma imagem do madeiro de Penamacor)