Alguns professores de Castelo Branco saíram à rua mas, desta vez, para distribuírem folhetos informativos, dirigidos a toda a população. Esta acção decorreu na tarde da passada quarta-feira, frente ao mercado municipal desta cidade. No mesmo dia decorria, igualmente, a greve nacional de professores que, de acordo com dados do Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZC), rondou os 95 por cento no Distrito de Castelo Branco.
O objectivo desta iniciativa, tal como explicava Gabriel Constantino, membro do SPZC, foi “tentar chegar perto da população, concretamente, de todos os que são encarregados de educação”, de modo a “perceberem as razões das nossas manifestações e futuras greves”.
Segundo Gabriel Constantino, as políticas educativas impostas pelo Ministério da Educação, nomeadamente, o processo de avaliação do desempenho dos docentes, é o mote essencial de revolta dos professores e motivo que os traz, mais uma vez, à rua.
“Estas políticas degradaram as condições de exercício da actividade docente e têm vindo a transformar as escolas e o processo educativo num acto burocrático, de tal forma complexo, que os professores passam a maior parte do tempo a preencher papéis e a realizar reuniões”, explica o representante do SPZC.
Para além da carga burocrática associada a este modelo de avaliação, os professores queixam-se ainda sobre o modelo de avaliação “imposto”, que classificam de “inaplicável, injusto e perverso”.
“Este modelo tem consumido um tempo precioso para preparar as aulas e toda uma série de actividades que visam proporcionar a formação integral dos alunos e a melhoria das suas aprendizagens”, rematou Gabriel Constantino ao frisar ainda que “a intenção dos professores não é a de fugir a uma avaliação, mas pretendemos um modelo de avaliação justo”.
Esta acção de rua decorreu no mesmo dia em que, de norte a Sul de Portugal, acontecia a greve nacional de professores.
No Distrito de Castelo Branco, Gabriel Constantino, garantiu que a adesão à greve rondou os 95 por cento. “É com enorme satisfação que anuncio este valor. Não, propriamente, pela adesão em si, mas por aquilo que representa: a união entre a classe”, rematou o sindicalista.